Os Ausentes

Um C.C.C. – Círculo de Cidadãos Criadores – desperta coletivamente a memória de cidadãos desaparecidos.

“Em Replaton, Léa Rigal fabricava pantufas de pele de coelho e de xarope de groselha. O seu corpo aconteceu.” Eis um exemplo de micronarrativa exibida na instalação Os Ausentes, livremente inspirada do livro Spoon River de Edgar Lee Masters. 

Organizamos um C.C.C. – Círculo de Cidadãos Criadores – por cidade, ou por vila, ou aldeia. Impulsionado pelo grupo, o Atelier Cosmogama produz cem micronarrativas relativas a cem pessoas que tenham de facto morado no território onde estarão dispersos Os Ausentes. 

As micronarrativas são impressas em cartazes afixados no espaço público. Às vezes isolados, outras, agrupados em conjuntos. Convidam o caminhante a abrir a escala da perceção, a segurar o fio da memória de um território em movimento, em ação, com consciência dos seus habitantes, das suas riquezas, dos seus trunfos, da sua singularidade

Aquelas e aqueles que viveram nos territórios investidos e regenerados pelos Ausentes fazem parte das nossas vidas, dos nossos passeios, da nossa maneira de habitar o mundo e de sondar o futuro.

 

Este dispositivo faz parte de COSMOLANDS, uma instalação articulada de acordo com vários princípios; todos estão ao serviço de uma apropriação e de uma dinamização dos lugares de vida. Agimos no centro das cidades, sobre os muros esquecidos pelo olhar, sobre os passeios onde fazemos as compras, sobre as linhas de escrita das passadeiras, ao longo dos caminhos de montanha, em plena floresta, nos museus, nas igrejas, nos salões de festa. Ajudar a viver, eis o principal desafio de COSMOLANDS. Ajudar a viver o seu espaço, viver a sua memória, viver o corpo social ao qual pertencemos. Para fazer nossa uma citação de Pina Bausch: a nossa ação pretenderia inventar momentos de amor puro.