Black Horror

Uma sessão de cinema em que o ecrã está em cada um de nós e onde o poder evocatório do som e da palavra devolvem cores negras ao mais sangrento dos géneros cinematográficos.

Adora tremer em frente ao The Thing? Berrar de pavor em frente a Poltergeist ou The Exorcist? Cravar as unhas no antebraço do seu vizinho ao ver Carrie ou The Blair Witch Project? Bem-vindo ao Black Horror, o cinema sem ecrã, nem projetor. 

Um autor e um sonoplasta são convidados a partilhar uma criação original, tendo como tema o cinema de terror. Os dois artistas selecionam três filmes desse género, de entre os seus preferidos e vários excertos dos mesmos. Estes excertos são organizados como uma banda sonora original de um reader’s digest por medida. 

O sonoplasta começa por compor sequências complementares livres, de acordo com o autor que escreve textos relacionados com os filmes escolhidos, mas também com o cinema de terror, o medo, o negro, os gritos, o sangue falso, as motosserras. 

Disto, resulta um filme mental aterrorizador, uma caixa aterrorizadora para a palavra aterrorizadora de um escritor aterrorizador de hoje e para a música aterrorizadora de um compositor igualmente aterrorizador.

 

Este dispositivo faz parte de COSMOBLACK, um conjunto de performances e de encontros que acontecem na escuridão completa. Entrar em COSMOBLACK, é viver o palco ouvindo-o e descobrir uma outra atenção às obras, uma concentração esquecida, uma profundeza dos sentidos que só a noite conhece. O lugar devoluto ao olhar torna-se então lugar da escuta, o corpo exposto torna-se o corpo pressentido. O que é habitualmente dado a ver, aqui é dado a ouvir, numa intimidade propícia à confidência, ao risco interior, à indigência, ao extremo. Uma nova forma de ir ao teatro.